Monday, December 29, 2008

Quanto custa para te roubar
dos laços pardos da sua inocência
farta de cor, pudor, tamanho
com asas longas de penas caras...
Faço curto o meu próprio tempo
só para nos ter perfeitos
nos seus jovens olhos de tons pastéis
e vozes brancas como arranhões no vento.
Sinto cócegas nas minha mãos orgulhosas
e então me entrego ao gesto simples,
de sorrir e ver sorrir, como se um dia
eu jamais seria forte, pálida, interrompida...

Wednesday, December 10, 2008

- o retirante -
de carro de asas de botas avante
puxa já longe
o fio da cidade da casa, almejante
luzes letras latas laudos
- coloriam sem dó a água dos olhos

feliz retirante das terras falantes,
das coisas que mandam, dos cães que reclamam
desmancha o bordado da vida do lado
desmonta as ruas das linhas escuras
testando a existência da implorada ausência
de ser levado um dia numa terra sua
pela alma crua sem lei nem cura.