um estranho afeto por seres simplificados
ainda que os repudie, os beijo
gatos pretos e seus excrementos
versos aguádos de voz sem explosões
lentos saltos de sílabas soltas
voa, meu coração, voa...
sai dos livros, das histórias cintilantes
dos acordes bem trançados de uma canção
beije o gato com a mesma paixão
que se descobre um povo, um segredo.
olhe-os pronta e decidida,
para mais uma vida farta
de mares e veleiros,
flores, canteiros
mortes e tantos despertares...
Sunday, December 27, 2009
Sunday, December 6, 2009
Tuesday, November 3, 2009
Mentira: querida companheira,
Peço perdão por ser-te infinitamente fiel, jovem musa das artimanhas; por acreditar cegamente em suas palavras tão livres e descompromissadas. Ah, amiga; você, que nunca desejou mais do que fazer da vida uma brincadeira, um exercício sem regras ou objetivos...
Peço desculpas por ter-lhe concedido, ainda que em pequenos gestos diários, todo o meu sincero afeto, assim me recusando a questionar a sua verdadeira essência.
Sim, conheço bem o nosso contrato, embora não seja capacitada a seguir-lo. Sei que faço da minha integridade uma indelicadeza, sei que firo fácil a sua natureza, seus critérios, seus princípios mas... assim o faço. Por motivos que ambos débilmente nutrimos; por um desejo pleno e vasto de tornar-te imóvel e inquestionável...
Peço perdão por ser-te infinitamente fiel, jovem musa das artimanhas; por acreditar cegamente em suas palavras tão livres e descompromissadas. Ah, amiga; você, que nunca desejou mais do que fazer da vida uma brincadeira, um exercício sem regras ou objetivos...
Peço desculpas por ter-lhe concedido, ainda que em pequenos gestos diários, todo o meu sincero afeto, assim me recusando a questionar a sua verdadeira essência.
Sim, conheço bem o nosso contrato, embora não seja capacitada a seguir-lo. Sei que faço da minha integridade uma indelicadeza, sei que firo fácil a sua natureza, seus critérios, seus princípios mas... assim o faço. Por motivos que ambos débilmente nutrimos; por um desejo pleno e vasto de tornar-te imóvel e inquestionável...
Friday, October 23, 2009
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um perdão de amor sincero
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um sorriso sem mistério
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um verso tolo dito eterno
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um fim de história num caderno
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um jargão que vence o inverno
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um ser de alguém que não quer ser
tu n'existe pas...
tu n'a jamais existé, c'est ça.
(à robert desnos)
um perdão de amor sincero
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um sorriso sem mistério
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um verso tolo dito eterno
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um fim de história num caderno
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um jargão que vence o inverno
ça n'existe pas, ça n'exite pas...
um ser de alguém que não quer ser
tu n'existe pas...
tu n'a jamais existé, c'est ça.
(à robert desnos)
Sunday, October 11, 2009
as cortinas transparecem memórias
um pássaro pousado no prédio ao lado
um gato descansa sobre a cama feita
linhas de carros quietos, de portas fechadas
pessoas quietas, de boca fechada
palavra alguma, gesto algum,
hora, minuto, momento:
o mesmo
e isto ocorre todos os dias,
desde que você abriu a porta
naquela segunda-feira
um pássaro pousado no prédio ao lado
um gato descansa sobre a cama feita
linhas de carros quietos, de portas fechadas
pessoas quietas, de boca fechada
palavra alguma, gesto algum,
hora, minuto, momento:
o mesmo
e isto ocorre todos os dias,
desde que você abriu a porta
naquela segunda-feira
Saturday, July 4, 2009
Saturday, May 9, 2009
Tuesday, April 28, 2009
ah... os seus olhos...
eu poderia me afogar nos seus olhos...
esquecer daquela melodia que me prende aqui
rejuvenescer só pra viver uma vida mais longa com você
te pergunto agora,
como funciona essa coisa de dizer a verdade;
se você nunca mentiu pra mim,
o que é verdade pra você?
quem me disse que os olhos nunca mentem
que os olhos são o espelho d'alma
se o que eu vejo nos seus olhos
são apenas os reflexos dos meus desejos?
eu poderia me afogar nos seus olhos...
esquecer daquela melodia que me prende aqui
rejuvenescer só pra viver uma vida mais longa com você
te pergunto agora,
como funciona essa coisa de dizer a verdade;
se você nunca mentiu pra mim,
o que é verdade pra você?
quem me disse que os olhos nunca mentem
que os olhos são o espelho d'alma
se o que eu vejo nos seus olhos
são apenas os reflexos dos meus desejos?
Saturday, April 4, 2009
Monday, March 30, 2009
Sunday, March 22, 2009
Saturday, March 14, 2009
Sunday, March 8, 2009
silêncio inquietante...
espaço sobrando...
gente demais!
o meu consolo é te ver de lado
gozar das suas mãos, minhas, conversando
seu sorriso tão prateado quanto a sua cabeça...
quem é meu afinal? dentes ou cabelos?
tantos movimentos
quanto pensamentos
e a luz da platéia bem ali:
na cadeira vazia entre dois espelhos
espaço sobrando...
gente demais!
o meu consolo é te ver de lado
gozar das suas mãos, minhas, conversando
seu sorriso tão prateado quanto a sua cabeça...
quem é meu afinal? dentes ou cabelos?
tantos movimentos
quanto pensamentos
e a luz da platéia bem ali:
na cadeira vazia entre dois espelhos
Wednesday, March 4, 2009
Dig
me lembro agora da coisa mais importante que eu perdi na minha infância: Dig, o meu cachorro de rua. putz, ele apareceu num passe de mágica, nos apaixonamos no primeiro olhar. me protegia, me ouvia, me acompanhava pra todos os lados. foi tirado de mim por alguém que enxergava a nossa suprema cumplicidade.
Ficção
E a nossa história termina aqui,
onde as palavras ficam nuas.
Anos e anos,
Páginas e mais páginas
De frases irreparáveis,
Olhares lacônicos.
Fecho os olhos e ainda te beijo,
Fecho a porta e ainda te prendo.
Branco-luz do meu teatro
Nos mostramos enfim inteiros
onde as palavras ficam nuas.
Anos e anos,
Páginas e mais páginas
De frases irreparáveis,
Olhares lacônicos.
Fecho os olhos e ainda te beijo,
Fecho a porta e ainda te prendo.
Branco-luz do meu teatro
Nos mostramos enfim inteiros
Tuesday, February 24, 2009
palavras soltas
grandes, chatas
palavrões, parlatos
paradas, patas-chocas
papagaiadas
com a palavra
quem se importa?
quem anota?
quem se lembra?
o que eu quero
fica claro
bem no fundo:
o branco-espaço
o branco-aberto
o branco-cera
grafitado imundo
que flutua, sempre branco...
branco no branco
de papel sem data
de papel sem nome
de papel escrito em nada
sem dizeres, sem amores
papel que escreve, que se mexe
e voa só nos corredores
que se transforma
vira bola, vira saco
se dobra em dois, em três, em quatro
se amassa todo, se parte ao meio
acolhe as marcas de um sapato
e voa só entre os meus olhos
branco solto, grande, chato
branco imenso, escuro, feio
onde se cria o meu anseio
de luz de prata em movimento
de cores rápidas, complexas
que voa firme e sem palavras
que voa só meu pensamento
grandes, chatas
palavrões, parlatos
paradas, patas-chocas
papagaiadas
com a palavra
quem se importa?
quem anota?
quem se lembra?
o que eu quero
fica claro
bem no fundo:
o branco-espaço
o branco-aberto
o branco-cera
grafitado imundo
que flutua, sempre branco...
branco no branco
de papel sem data
de papel sem nome
de papel escrito em nada
sem dizeres, sem amores
papel que escreve, que se mexe
e voa só nos corredores
que se transforma
vira bola, vira saco
se dobra em dois, em três, em quatro
se amassa todo, se parte ao meio
acolhe as marcas de um sapato
e voa só entre os meus olhos
branco solto, grande, chato
branco imenso, escuro, feio
onde se cria o meu anseio
de luz de prata em movimento
de cores rápidas, complexas
que voa firme e sem palavras
que voa só meu pensamento
Monday, February 9, 2009
Friday, January 30, 2009
dorme... lento
contemplo o som da sua leveza
rica... única
e perdôo seu gosto de pele inocente
olho... tento
beijo a cor serena da sua polidez
clara... úmida
esboçando ruas, casas, cão, cavalo
- todos
pedras combinadas de um plano justo
mapa mundo esquadrinhado
que encobre até as indesejáveis gargalhadas
de um relógio estérico
- invejoso, vagabundo!
contemplo o som da sua leveza
rica... única
e perdôo seu gosto de pele inocente
olho... tento
beijo a cor serena da sua polidez
clara... úmida
esboçando ruas, casas, cão, cavalo
- todos
pedras combinadas de um plano justo
mapa mundo esquadrinhado
que encobre até as indesejáveis gargalhadas
de um relógio estérico
- invejoso, vagabundo!
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