palavras soltas
grandes, chatas
palavrões, parlatos
paradas, patas-chocas
papagaiadas
com a palavra
quem se importa?
quem anota?
quem se lembra?
o que eu quero
fica claro
bem no fundo:
o branco-espaço
o branco-aberto
o branco-cera
grafitado imundo
que flutua, sempre branco...
branco no branco
de papel sem data
de papel sem nome
de papel escrito em nada
sem dizeres, sem amores
papel que escreve, que se mexe
e voa só nos corredores
que se transforma
vira bola, vira saco
se dobra em dois, em três, em quatro
se amassa todo, se parte ao meio
acolhe as marcas de um sapato
e voa só entre os meus olhos
branco solto, grande, chato
branco imenso, escuro, feio
onde se cria o meu anseio
de luz de prata em movimento
de cores rápidas, complexas
que voa firme e sem palavras
que voa só meu pensamento
Tuesday, February 24, 2009
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