Saturday, March 23, 2013

E aqui, nesse quadrado branco, começa nossa verdadeira história. Sem linhas, curvas, traços em cartas escritas a mão, sem pedidos, lágrimas, risos ou permissão. Te descrevo com a tinta seca dos meus pensamentos, arrancando da pele a memória inexplicável do teu cheiro. Você, que deveria ter desaparecido, permanece ainda intacto comigo. E mesmo assim, querido parceiro, não vejo culpa nos seus atos, muito menos veria nos meus. Assim como você, sigo como posso, como quero, como espero. Desisto, porém, resistentemente, da tentativa de entender a utopia que a mim consiste dizer-te adeus.

Tuesday, March 19, 2013


Fecho a porta, dia velho. Um banho bom, sem mais mistérios. Anoiteço só, sem medos, enredos, contemplando cortinas em nó, abraçadas, aguardando o pó das gargalhadas sujas de um despertador.

Monday, March 18, 2013

lamento à sombra sob os seus olhos
escuros como os meus pensamentos
prateados como o movimento dos seus cabelos
numa foto qualquer

entre nós, atentos
derrubam a sinceridade terna de sentimentos cegos
me tocam sem pena, roubam dessas mãos soltas
tudo o que eu disse e o que eu ainda teria para falar

Sunday, March 10, 2013

Gosto de chocolate-saliva: conversa particular que grita debaixo da língua

Saturday, March 2, 2013

hoje a noite é simplesmente noite
escura, opaca, velha
do lado de fora da janela, furada
nela boiando uma lua, simplesmente lua
sem fios, conjunções, pendurada
pobres posters dos mortos de amor