Tuesday, February 24, 2009

palavras soltas
grandes, chatas
palavrões, parlatos
paradas, patas-chocas
papagaiadas

com a palavra
quem se importa?
quem anota?
quem se lembra?
o que eu quero
fica claro
bem no fundo:
o branco-espaço
o branco-aberto
o branco-cera
grafitado imundo
que flutua, sempre branco...

branco no branco
de papel sem data
de papel sem nome
de papel escrito em nada
sem dizeres, sem amores
papel que escreve, que se mexe
e voa só nos corredores

que se transforma
vira bola, vira saco
se dobra em dois, em três, em quatro
se amassa todo, se parte ao meio
acolhe as marcas de um sapato
e voa só entre os meus olhos

branco solto, grande, chato
branco imenso, escuro, feio
onde se cria o meu anseio
de luz de prata em movimento
de cores rápidas, complexas
que voa firme e sem palavras
que voa só meu pensamento

Wednesday, February 11, 2009

a cigarette.
absence of
absent.
excess of
excesses.

smoke your breath

Monday, February 9, 2009

estou aqui porque perdi o som.
tua pele, de tão branca virou cera:
como a daqueles bonecos que se vê de longe
nos museus
do corpo, não te condeno
morta me dou.
arruina-me na distância frígida
desse nosso encontro
e me recompenso com fumaça
seca e estridente
que preenche esse corpo sem lágrimas
sem som.