Quanto custa para te roubar
dos laços pardos da sua inocência
farta de cor, pudor, tamanho
com asas longas de penas caras...
Faço curto o meu próprio tempo
só para nos ter perfeitos
nos seus jovens olhos de tons pastéis
e vozes brancas como arranhões no vento.
Sinto cócegas nas minha mãos orgulhosas
e então me entrego ao gesto simples,
de sorrir e ver sorrir, como se um dia
eu jamais seria forte, pálida, interrompida...
Monday, December 29, 2008
Wednesday, December 10, 2008
- o retirante -
de carro de asas de botas avante
puxa já longe
o fio da cidade da casa, almejante
luzes letras latas laudos
- coloriam sem dó a água dos olhos
feliz retirante das terras falantes,
das coisas que mandam, dos cães que reclamam
desmancha o bordado da vida do lado
desmonta as ruas das linhas escuras
testando a existência da implorada ausência
de ser levado um dia numa terra sua
pela alma crua sem lei nem cura.
de carro de asas de botas avante
puxa já longe
o fio da cidade da casa, almejante
luzes letras latas laudos
- coloriam sem dó a água dos olhos
feliz retirante das terras falantes,
das coisas que mandam, dos cães que reclamam
desmancha o bordado da vida do lado
desmonta as ruas das linhas escuras
testando a existência da implorada ausência
de ser levado um dia numa terra sua
pela alma crua sem lei nem cura.
Sunday, November 23, 2008
Saturday, November 22, 2008
bouquet
Derramo um pote de pipoca no caminho e perco a direção...
Branco, peças sem encaixe, desconexas,
flores salgadas do meu bouquet.
Mais uma vez, fogem,
ainda despidos,
as dúvidas e os porquês da minha empreitada.
Como laços e colares, não nos cansamos de balançar.
Branco, peças sem encaixe, desconexas,
flores salgadas do meu bouquet.
Mais uma vez, fogem,
ainda despidos,
as dúvidas e os porquês da minha empreitada.
Como laços e colares, não nos cansamos de balançar.
Wednesday, November 19, 2008
umas
desde quando uma pode ser mais que uma?
uma é uma; e uma e uma é igual a uma e uma
ou mesmo duas, não umas - não, mesmo.
uma é uma; e uma e uma é igual a uma e uma
ou mesmo duas, não umas - não, mesmo.
Monday, November 17, 2008
- entre -
entre os meu anseios
e os teus
um espelho em pedaços
entre os meus seios
e o seu
Incontáveis atos
e os teus
um espelho em pedaços
entre os meus seios
e o seu
Incontáveis atos
Sunday, October 26, 2008
Fui.
A habilidade de viver aquilo que você é por apenas aquele dia...
e não se enganar pela trivialidade de querer ser aquilo pra sempre
- coisa de gente destemida.
e não se enganar pela trivialidade de querer ser aquilo pra sempre
- coisa de gente destemida.
Friday, October 24, 2008
Pétalas de pedra
Do vasto campo das suas mentiras,
Arranquei pétalas de bem-me-quer.
Vivemos juntos naquele vidro aguádo,
Feito de imagens sem linhas nem faces,
Onde pétalas de pedra gritavam
Se pétalas de rosa falassem.
Arranquei pétalas de bem-me-quer.
Vivemos juntos naquele vidro aguádo,
Feito de imagens sem linhas nem faces,
Onde pétalas de pedra gritavam
Se pétalas de rosa falassem.
Thursday, October 23, 2008
O peso de um casaco
O maestro veste o casaco que tem o peso da imobilidade. A imobilidade veste o respeitável que tem o peso da soberba. A soberba veste o silêncio que tem o peso da solidão...
A solidão despe o silêncio que ganha a leveza da caridade. A caridade despe o respeitável que ganha a leveza da humildade. A humildade despe o maestro que ganha o peso do peso do peso...
A solidão despe o silêncio que ganha a leveza da caridade. A caridade despe o respeitável que ganha a leveza da humildade. A humildade despe o maestro que ganha o peso do peso do peso...
Wednesday, October 22, 2008
A taça
O cristal envolve, molha, imita,
sem portas ou tampas, distingue, estanca
faz de duas vidas uma, que se faz da outra, infinita.
Um dia,
A que se extende afora leva da outra o segundo, o minuto, hora,
e a taça funda sem razão e permanece oca
ali vazia - e um outro dia,
aquela que corre dentro rouba do mundo o silêncio, o sentido e o tempo
e a taça que de ar inunda, se enche de si e dorme
afogando-se histórias, dimensões, memórias
que do vasto mundo veio e emprestou pedaços
ao que resta denso, nú e cheio.
sem portas ou tampas, distingue, estanca
faz de duas vidas uma, que se faz da outra, infinita.
Um dia,
A que se extende afora leva da outra o segundo, o minuto, hora,
e a taça funda sem razão e permanece oca
ali vazia - e um outro dia,
aquela que corre dentro rouba do mundo o silêncio, o sentido e o tempo
e a taça que de ar inunda, se enche de si e dorme
afogando-se histórias, dimensões, memórias
que do vasto mundo veio e emprestou pedaços
ao que resta denso, nú e cheio.
Saturday, August 16, 2008
O que acontece quando...
a gente vai embora mas não vai embora realmente?
a gente fala uma coisa mas não quis dizer aquilo realmente?
a gente vê alguma coisa importante...
mas não sabe nem o que é importante realmente?
quando a gente pensa numa coisa mas a coisa só existe
no momento em que a gente pensa na coisa realmente?
quando a gente se cansa de tudo....
e decide ir embora...
mas não ir embora realmente...
só tirar umas férias da vida que é isso ou não é isso...
mudar de país, de língua...
de pessoas, de comida, de estação...
sem deixar que o sentido de tudo atrase o tempo realmente...
o que acontece quando a gente se cansa das definições
daquilo que existe e daquilo que não existe...
realmente...
a gente fala uma coisa mas não quis dizer aquilo realmente?
a gente vê alguma coisa importante...
mas não sabe nem o que é importante realmente?
quando a gente pensa numa coisa mas a coisa só existe
no momento em que a gente pensa na coisa realmente?
quando a gente se cansa de tudo....
e decide ir embora...
mas não ir embora realmente...
só tirar umas férias da vida que é isso ou não é isso...
mudar de país, de língua...
de pessoas, de comida, de estação...
sem deixar que o sentido de tudo atrase o tempo realmente...
o que acontece quando a gente se cansa das definições
daquilo que existe e daquilo que não existe...
realmente...
Wednesday, August 6, 2008
I know just a little about it...
I have felt in love for the hope of what it is
without knowing what is hope for me...
No promises, see...
without knowing what is hope for me...
No promises, see...
Monday, August 4, 2008
A fumaça não pára de girar
Esse cigarro é torto,
por que não me disseste antes?
Sopro reto e não atinjo o alvo.
O cara me disse que era tiro certeiro
mas a fumaça nunca pára de girar.
A roupa cheira e a mão vacila, fraca:
a fumaça veste o hóspede
como as palavras molham a carta.
por que não me disseste antes?
Sopro reto e não atinjo o alvo.
O cara me disse que era tiro certeiro
mas a fumaça nunca pára de girar.
A roupa cheira e a mão vacila, fraca:
a fumaça veste o hóspede
como as palavras molham a carta.
Sunday, August 3, 2008
Entre ruas
Por isso, te digo, Tobias, fé é pra poucos,
pra aqueles que aprenderam a morrer a cada dia.
pra aqueles que aprenderam a morrer a cada dia.
Saturday, August 2, 2008
Aqui
Oi, estive fora por um bom tempo
e me esqueci das coisas do jeito que eu penso.
Então, só quero estar aqui e escrever,
Sem espaço pra aplausos de forma alguma,
Ou essas outras coisas que a gente se acostuma.
Só quero estar aqui e ser franca
sobre tudo o que eu vivo, ouço e vejo,
aqui: no preto, a tinta branca.
e me esqueci das coisas do jeito que eu penso.
Então, só quero estar aqui e escrever,
Sem espaço pra aplausos de forma alguma,
Ou essas outras coisas que a gente se acostuma.
Só quero estar aqui e ser franca
sobre tudo o que eu vivo, ouço e vejo,
aqui: no preto, a tinta branca.
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