Saturday, January 30, 2010

balaaaança, corpo
balaaaaaaaança, ainda mais
esqueça no chão esses sonhos roubados
e jogue-se ao vento sem freios,
dispindo-se dos véus acetinados de outrem

a cada impulso, um passo a menos
a cada vôo, um verso a menos
ao céu, me desfaço sob a luz materna
eliminando progressivamente
os traços verídicos do presente

me atiro ao infinito azul cintilante
pulverizado de pássaros flutuantes num papel jornal
ao fundo, um reflexo insustentável de uma criança
que voava alto, obstinada
ao alcance irrecusável
de uma pequena flor

Tuesday, January 12, 2010

te deixo dormir
agora, te deixo dormir
te vejo calado
na escuridão dos fatos
te deixo dormir, tento
fecho os olhos
você está lá, me deixa
te deixo dormir
e você me acorda
e me acorda de novo
te deixo dormir