Gênesis do amor
e quando eu te encontrei
precisamos nos olhar
e olhar por um dia era pouco
precisamos nos falar
e falar por um dia era pouco
precisamos nos tocar
e tocar por um dia era pouco
precisamos nos beijar
e beijar por um dia era pouco
precisamos nos deitar
e deitar por um dia era pouco
precisamos nos deixar
e deixar por um dia era pouco
precisamos nos perder
e perder por um dia era pouco
precisamos nos desfazer
desfazer por um dia era pouco
precisamos nos esquecer
esquecer por um dia era pouco
precisamos nos recriar
recriar por um dia era pouco
precisamos nos re-recriar
e mais um dia assim
e mais um dia assim
Wednesday, July 23, 2014
Tuesday, July 22, 2014
me deitei na grama úmida pra dizer adeus.
deixei que os pássaros me olhassem, me devendassem entre os viajantes
que os cães sentissem o cheiro do meu amor em decomposição
deixei solto e sem palavras o pulso forte que me perfurava
antes que carícias de histórias me devolvessem o sono surdo de outubro
deixei que os pássaros me olhassem, me devendassem entre os viajantes
que os cães sentissem o cheiro do meu amor em decomposição
deixei solto e sem palavras o pulso forte que me perfurava
antes que carícias de histórias me devolvessem o sono surdo de outubro
mixto de morte e mundo
a grama-chama me dissolveu nas suas salivas finas
e o dia simplesmente verdejou entre os segundos
a grama-chama me dissolveu nas suas salivas finas
e o dia simplesmente verdejou entre os segundos
Monday, July 7, 2014
Car c'est le prix du voyage, c'est la peur. Il brise en nous une sorte de décor interieur. Il n'est plus possible de tricher – de se masquer derrière des heures de bureau et de chantier (ces heures contre lesquelles nous protestons si fort et qui nous défendent si sûrement contre la souffrance d'être seul). [...] Le voyage nous ôte ce refuge. Lois des nôtres, de notre langue, arrachés à tous nos appuis, privés de nos masques (on ne connaît pas le tarif des tramways et tout est comme ça), nous sommes tout entiers à la surface de nous-mêmes. Mais aussi, à nous sentir l'âme malade, nous rendons à chaque être, à chaque objet, sa valeur de miracle.
Albert Camus, "Amour de vivre", 109.
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