Sunday, December 29, 2013

Estórias de mãos que se beijam nos golpes certeiros de uma certa incerteza
Escritas azuis dos teus olhos e abraços, que se despem de cores de uma mesma cor
Estórias que hoje eu não sei contar, que escapam das linhas de um tempo e lugar
Que desdenham os risos das almas que brincam e fogem e se esquecem de amar.


Tuesday, May 14, 2013

das nossas camas
restam lençóis onde um outro me tinha
lenços longos de cheiros, de manchas de adeus
que agora enxugam seus olhos como pele fria - minha,
presente de última vez
... haja pano, haja lenço
... lágrimas de véu cristalino
cócegas húmidas sobre a pálida memória
vigília:
pia pia pia
mas não me deixe acordar...
e eu que não sabia que eu não sabia das coisas que eu não sabia...

Monday, May 13, 2013

Peço pouco, pago dízimo aos meus tantos anos. Se afrouxem os nós dos cordões hereditários! limpo as mãos nas pregas do casaco e calço os pés nesta terra confortável. As portas se abrem e fecham nas paredes invisíveis, assim como os olhos se banham e secam sob a luz lúcida do dia.

Thursday, April 25, 2013

te toco, te beijo, te pertenço,
a cada segundo que te deixo
nessa vida eterna de um porta retratos 

te beijo assim de olhos abertos
tentando te guardar até o fim
até que a vida nos separe

wer hat Dir gesagt, UNS war nicht für die Ewigkeit?

Monday, April 15, 2013

window... wing
tomorrow and today
...ing
go, go, go, go
win and win and win
win and wings 
as tomorrow and today
...ing
keep keep 
up up
up and down and down and up
open and up and open and up
twiiiiiiin 
you



on tiptoe
...ing
tip - toDAY
...ing
tiptibum
...bah
tip
tip
...
toDAY
tip
tip

fingers
on keyssss
kissing on tiptoessss

Saturday, March 23, 2013

E aqui, nesse quadrado branco, começa nossa verdadeira história. Sem linhas, curvas, traços em cartas escritas a mão, sem pedidos, lágrimas, risos ou permissão. Te descrevo com a tinta seca dos meus pensamentos, arrancando da pele a memória inexplicável do teu cheiro. Você, que deveria ter desaparecido, permanece ainda intacto comigo. E mesmo assim, querido parceiro, não vejo culpa nos seus atos, muito menos veria nos meus. Assim como você, sigo como posso, como quero, como espero. Desisto, porém, resistentemente, da tentativa de entender a utopia que a mim consiste dizer-te adeus.

Tuesday, March 19, 2013


Fecho a porta, dia velho. Um banho bom, sem mais mistérios. Anoiteço só, sem medos, enredos, contemplando cortinas em nó, abraçadas, aguardando o pó das gargalhadas sujas de um despertador.

Monday, March 18, 2013

lamento à sombra sob os seus olhos
escuros como os meus pensamentos
prateados como o movimento dos seus cabelos
numa foto qualquer

entre nós, atentos
derrubam a sinceridade terna de sentimentos cegos
me tocam sem pena, roubam dessas mãos soltas
tudo o que eu disse e o que eu ainda teria para falar

Sunday, March 10, 2013

Gosto de chocolate-saliva: conversa particular que grita debaixo da língua

Saturday, March 2, 2013

hoje a noite é simplesmente noite
escura, opaca, velha
do lado de fora da janela, furada
nela boiando uma lua, simplesmente lua
sem fios, conjunções, pendurada
pobres posters dos mortos de amor

Thursday, February 28, 2013

eu começo aqui, onde tudo acaba:
onde estão os trincos do meus trilhos?
resta apenas uma linha pontilhada
resta um soluço em pó de respiração
...
ontem nos falamos
...
a sua voz, ainda escuto
...
ontem que não é mais
ontem que já se foi há mais de uma vida,
uma vida toda inteira não vivida

treme aquele trem que nos recompõe
quebram-se os mesmos vultos de cinzas invisíveis
que se dizem indivisíveis e me contam de você

ah, linhas pontos, pontos linhas
linhas pontas pontilhadas
mal cruzadas
mal traçadas
curtas... abandonadas